quinta-feira, 24 de setembro de 2009

NOS ACRÉSCIMOS



Dois minutos e meio. Qual a possibilidade de um time levar um gol faltando dois minutos e meio para acabar o jogo? – lembro de uma vez, na época em que jogava futsal, que levamos um gol faltando oito segundos para o término da partida. Não perdemos o jogo, mas aquele empate de última hora, ou melhor, de últimos segundos, com certeza, nos tirou da próxima fase do campeonato.

Um minuto e meio. Por que ninguém tira essa bola de dentro da área? Querem me matar do coração? Não deixem ele chutar. Não, não, não... Ufaaaaa! Pra fora... – quando a bola entrou no gol, olhei para o banco de reservas. Nosso treinador estava desolado. Com as mãos na cabeça ele nos dizia ou gritava, sei lá, que faltavam apenas oito segundos, oito segundos. E o que são oito segundos?

Um minuto. Acaba logo esse jogo! Não acredito que ainda não tiraram essa bola do campo de defesa. Será que estão querendo levar um gol e perder a vitória no último minuto? – depois do gol tomado com oito segundos para o fim do jogo, não houve tempo para uma reação. O tempo que parecia eterno enquanto defendíamos, se consumiu voraz e imediatamente quando colocamos a bola no meio da quadra para reiniciar a partida ou encerrá-la.

Trinta segundos. Esse cronômetro deve estar com problemas. Como assim, ainda faltam trinta segundos!? – tocamos a bola de lado e antes mesmo de termos tempo de dar mais um chute, ouvimos o apito. Era o fim. Tudo estava perdido e só faltavam oito segundos quando a bola entrou.

Oito segundos. Se o árbitro não acabar esse jogo agora, juro que invado o campo e eu mesma darei o apito final. Ah, não! Vocês deixaram o cara cruzar pra dentro da área. Alguém tira essa bola daí, por favor. Só faltam oito segundos. Vocês sabem o que é isso, oito segundos? No futsal oito segundos pode ser uma eternidade, mas vocês não estão numa quadra. Vai. Tira, tira, tira. Alguém tira essa bola daí...

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Danielly Ziroldo

domingo, 20 de setembro de 2009

SECRETO MUNDO



Olhei-me
através de uma lente de aumento
e descobri com surpresa
que o mundo que invento
se desfaz lentamente
sem o meu consentimento.

Quem abriu a janela
e permitiu a entrada do vento
neste meu mundo secreto
de confuso entendimento?

Feche-a,
pois este sopro lento
leva um pouco a cada dia
todo o meu alento.

Feche-a,
que fica só o sofrimento
enquanto vai a alegria
carregada pelo vento...

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Danielly Ziroldo

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

FACES DAS PALAVRAS



Houve uma época em que me deixava convencer facilmente por palavras bonitas. Bonitas em sua superficialidade, pois se analisadas bem de perto, possivelmente, encontraria nelas faces de adjetivos obscuros como o sarcasmo e a falsidade.

Naquele tempo ainda não possuía o conhecimento suficiente para distinguir sentimentos sinceros expressos em palavras de palavras vazias, estas últimas escritas com o único objetivo de manipular seu interlocutor com a falsa ideia de que elas expressam afeição e uma preocupação desinteressada.

Não posso afirmar que hoje já sou capaz de separar estas duas qualidades de palavras: verdadeiras e falsas, até porque preciso reconhecer que há habilidosos artífices neste ofício de manusear as palavras e fazem tão bem seu trabalho, que só com muita perspicácia é possível reconhecer a verdadeira intenção das letras escritas ou ditas. É importante ressaltar que, às vezes, isso é praticamente impossível e talvez somente duas coisas possam denunciar a verdade: olhos nos olhos ou um deslize, geralmente percebido nas contradições entre palavras e palavras ou entre ações e palavras.

Como quase tudo, querer desvendar a correta face das palavras, principalmente das mais belas e lapidadas com cuidado, é demasiadamente complicado. Por isso, agora, que não sou mais tão ingênua, mas que também não sou tão esperta, valho-me da desconfiança.

Não digo que desconfie de tudo e de todos, entretanto, procuro me proteger de ardilosos enganadores que tentam, incansavelmente, me convencer de suas ideias em detrimento das minhas; que tentam me convencer da indispensabilidade de seus produtos para a continuidade da vida; ou de suas louváveis e heróicas intenções enquanto políticos. Que tentam me convencer que levam em consideração minhas necessidades, mas que agem apenas em prol de seus interesses; ou me enfiam garganta abaixo uma visão distorcida das histórias, visão que vai de acordo, unicamente, com o interesse de quem as contam.

Cansei-me deste uso indevido das palavras! Cansei de permanecer calada enquanto brincavam de me convencer de coisas que não acredito, que não preciso e que não são verdade.

Neste momento, penso que só há uma coisa a ser feita: utilizar-me das mesmas armas – as palavras – para combatê-los.
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Danielly Ziroldo

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ARTE PARA TODOS

texto de DANILA CALDERON¹


“Pode-se viver no mundo uma vida magnífica quando se sabe trabalhar e amar; trabalhar pelo que se ama e amar aquilo em que se trabalha.” (Nise da Silveira)

Não sei se já aprendi trabalhar. Sei apenas que, dia após dia, sigo trabalhando e muito. Amo o que faço, apesar de que, às vezes, percebo que não tenho tempo para mais nada. Não tenho mais tempo para refletir sobre tudo o que está acontecendo, nem para oferecer a devida atenção àqueles que me cercam.

Por vezes, entro em conflito comigo mesma, pois são tantas as barreiras impostas pelo sistema, tantas divisões, áreas, movimentos, períodos, tantos tipos de conteúdos: estruturante, básico e específico. Chego a pensar que se for necessário levar em consideração todos estes detalhes para que a arte seja produzida, dificilmente ela se tornará produto de todos os cidadãos comuns do mundo. Será exclusividade de uma mínima parcela de “gênios” da sociedade.

Sempre pensei que arte é para todos, produtos de todos e não se deve permitir que uma minoria se aproprie dela.

Todo ser humano expressa em tudo que faz sentimentos profundos que na maior parte do tempo nem sabe que existe dentro de si.

Arte é a expressão da alma, do mais profundo do ser, é essência.

Há um ditado que diz: “a boca só fala do que o coração está cheio".

Boca, coração, mão e corpo estão completamente ligados à expressão. Expressou? Virou Arte!

E se falando em artes visuais, a mão só expressa o que o coração está cheio, é importante ter consciência do que estamos enchendo nosso coração.

Nesta passagem aqui pelo mundo é interessante ser alguém útil, trabalhar, contribuir para o bem comum da natureza e todos que nele habitam, mesmo que tudo o que fizermos não seja reconhecido por este sistema estabelecido por meros humanos.

No andar de cima tem alguém que nos reconhece no mais profundíssimo.

A vida é um esforço constante e vale a pena.

Lute, trabalhe, viva intensamente!

Mesmo que não seja reconhecido pelos homens, tenha a certeza de que um ser superior vê todos os nossos passos e reconhecerá todos os nossos esforços.
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¹ Danila Calderon é artista plástica e professora de artes.

domingo, 21 de junho de 2009

A FORÇA DO MÊS DE NASCIMENTO

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Hoje, um pouco mais de vinte e dois anos após meu nascimento, descobri, enfim, porque não me tornei uma atleta.

Fico me perguntando: por que não tive conhecimento disso antes? Afinal, poderia ter tirado das minhas costas, muito mais cedo, a culpa de nunca ter obtido sucesso na carreira futebolística, entretanto, só agora descubro que tudo é uma questão de data de nascimento.

Simples assim. A data de nascimento.

Bem... é isso o que dizem as pesquisas e se as pesquisas dizem, quem sou eu para afirmar o contrário? Desta forma, eximo-me de toda a culpa, pois qual é a minha culpa em não ter nascido nos três primeiros meses do ano? Nenhuma.

E se ter nascido em outubro me condenou a não ser atleta, será que ajuda a me tornar escritora?

Sinceramente, não sei. Contudo, penso que deveriam realizar uma pesquisa sobre as datas de nascimento dos escritores e verificar se nascer nos três últimos meses do ano pode ser considerado uma vantagem...
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Enquanto o resultado da pesquisa não sai, permaneço por aqui, pensando, pensando e me perguntando (com uma pontinha de esperança): SERÁ???
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Danielly Ziroldo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

SÃO MARCOS ESTÁ DE VOLTA


A noite de ontem foi do Palmeiras, ou melhor, a noite de ontem foi do Marcos, o goleiro do Verdão apelidado de São Marcos.

Sei que posso estar um pouco atrasada com a notícia, considerando a velocidade com que a informação é difundida, no entanto, penso não haver tempo que mensure a validade da emoção sentida por milhares de palmeirenses ao ver no estádio ou apenas através da internet, rádio ou televisão o grande feito deste goleiro que já faz parte da história do futebol brasileiro.

É verdade que ele andou em uma fase de contusões e quando isso acontece com um atleta, infelizmente, ele começa a ficar desacreditado e tudo o que já construiu em sua carreira parece não ter muito valor.

Contudo, ontem, Marcos reafirmou seu talento e como outros atletas já fizeram, mostrou ao Brasil e ao mundo que ainda tem condições de defender as cores do seu time e mesmo afirmando que talvez a Seleção Brasileira não seja mais para ele, ainda acredito que ele é talentoso o suficiente para defender a camisa do nosso país.

Afinal, não é qualquer goleiro que, durante uma partida, é capaz de fazer tantas grandes defesas e ainda por cima, defender três pênaltis, garantindo a classificação do Palmeiras para a próxima fase da Copa Libertadores da América.
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Danielly Ziroldo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

PARA ONDE VÃO AS CANETAS?


É curioso o que acontece com as canetas onde trabalho, elas simplesmente desaparecem. Estava até pensando em contratar um detetive particular ou, quem sabe, me transformar em uma, para tentar desvendar este mistério.

Chega a ser até engraçado, um engraçado que, às vezes, irrita, pois em um minuto se tem um monte de canetas, no outro já não existe mais nenhuma - e isso acontece principalmente nos momentos em que mais se precisa de uma.

É incrível como as canetas tomam chá de sumiço e nunca mais aparecem e ninguém pode culpar nenhuma das colegas mais próximas, porque ninguém ali nunca tem canetas sobrando para emprestar e ninguém está livre de ser uma vítima. É quase óbvio que um ladrão de canetas teria uma coleção delas, não concordam?

Com tantos desaparecimentos, resolvi colocar nome em cada caneta que adquiro, no entanto, nem assim consigo possuí-las por muito tempo. Evidentemente ficam comigo por mais tempo, pois sempre que vejo passeando na mão de alguém, não desgrudo o olho enquanto ela não retorna para as minhas, mas, ainda assim, não escapo das mãos ligeiras, ávidas por canetas alheias. Sexta-feira passada, por exemplo, tinha três canetas azuis e uma vermelha sob minha propriedade, hoje de manhã, depois de muito procurar, consegui encontrar apenas uma e deu o maior trabalho para encontrar as outras três e escondê-las bem no fundo da minha gaveta para a segurança das mesmas e a minha, é claro. Não quero correr o risco de chegar amanhã cedo para trabalhar e não encontrar mais nenhuma delas.

Já tentamos de tudo, até amarrar a caneta no balcão. Nem isso resolveu, alguns dias depois, sempre encontrávamos apenas o cordão. Nenhum vestígio da caneta.

Por isso, começamos a nos perguntar: para onde será que vão as canetas?

Já perdemos as contas de quantas canetas nos pertenceram nestes três anos de trabalho. Elas evaporam e o mais intrigante, é que nunca mais são encontradas. Algumas imaginações férteis cogitaram a possibilidade de que alguém esconda no fundo do quintal um cofre como o do Tio Patinhas, mas que ao invés de haver ouro e dinheiro, haveria canetas, as nossas canetas...

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Danielly Ziroldo

sábado, 2 de maio de 2009

NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS


Há certas formas de contato interpessoal que nunca deveriam ser alteradas.

Se há perfeição na distância, mantenhamo-nas! Pois é a distância que traz esta perfeição.

Se há perfeição na proximidade, nunca nos separemos! Pois não suportaríamos a saudade.

Se há perfeição na amizade, sejamos amigos eternamente! Pois transformá-la em amor poderá significar o fim, primeiro da amizade e depois do amor.

Não pense que sou pessimista ou avessa a mudanças. Quero apenas preservar esta perfeição entre nós. Pois foi nesta ânsia de mudar, de querer acrescentar um toque a mais na dita perfeição, que ela, muitas vezes, deixou de ser perfeita e para sempre.
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Danielly Ziroldo

terça-feira, 14 de abril de 2009

PORRADA!


- BRIGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

De repente um turbilhão de crianças sai em disparada. Todos correndo em direção ao som do grito que ligeiramente era espalhado de boca em boca.

Os desavisados eram engolidos pelo turbilhão e quando se davam conta já estavam correndo também. Correndo para onde? Para onde todos estavam correndo. Não importava muito o destino, o que realmente importava era a ação de correr, correr e chegar o mais rápido possível para ver a briga.

Corriam e gritavam: - Briga! Briga! Briga!

Outros retrucavam: - Onde? Onde? Cadê a briga?

E continuavam correndo e continuavam gritando.

De súbito, o pelotão de frente para. Os que vinham atrás, não conseguindo frear a tempo, esbarram no outro grupo. Com o esbarrão, aquele que havia dado a ordem de parada se desequilibra e cai de boca no chão.
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Após um instante de silêncio, levantou-se, limpou a terra que quase engolira, sentiu o gosto de sangue do pequeno corte em sua boca e com uma ponta de raiva no olhar, aproximou-se do responsável pelo tombo público. Encarou-o com toda valentia que um menino consegue ter e com o punho cerrado deferiu no rosto assustado do seu inimigo o soco mais forte que poderia dar.

Rapidamente, todo aquele turbilhão de crianças fechava um círculo em volta dos dois mais novos lutadores da escola. Entre socos e pontapés a platéia soltava urros de empolgação e para incentivar gritavam:

- Porrada! Porrada! Porrada! Porrada! Porrada...

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Do outro lado do pátio, alguém gritava:

- BRIGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Um novo pelotão de pernas velozes se forma. Aqueles que haviam resistido à primeira chamada, agora se veem hipnotizados pelo grito daquela palavra irresistível, a qual, misteriosamente, transporta corpos de um lugar para outro em questão de minutos.
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Danielly Ziroldo

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PRÊMIO INSPIRAR-POESIA



Hoje, com grande alegria, venho aqui para agradecer a Mai, do blog Inspirar-poesia, pelo "Prêmio Inspirar-Poesia", que tão gentil e carinhosamente, me foi oferecido.
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Isto, com certeza, surge como forma de incentivo para que eu continue me aventurando pelo mundo da escrita, sempre buscando me aprimorar mais e mais.
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Mai, muito obrigada.
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Ps.: Para aqueles que ainda não conhecem o blog da Mai <http://inspirar-poesia.blogspot.com/>, confiram, pois ela escreve de forma encantadora...